Resumo do meu último namoro.
Para dar uma apaziguada no clima pesado gerado pelo último post (vieram até reclamar que eu estava praticando bullying com o coitadinho e ele estava muito triste), eu resolvi mudar um pouco o foco nesse.
Na verdade, nem tanto: ambos tratam de mágoa, aquela coisa terrível que te deixa com medo de se abrir para sentimentos. Vamos falar de dois tipo de vida amorosa: a carrossel e a montanha-russa!
Quando você se apaixona, todos os sentimentos são muito exagerados. A pessoa passa perto de você, frequenta o mesmo lugar ou te dá um oi e isso é suficiente pra te deixar nas nuvens. De repente você vê essa mesma pessoa abraçando demoradamente ou sorrindo muito perto de outra pessoa que você nem conhece e seu mundo desaba, é aquela melancolia infinita.
E quando a paixão é correspondida e acontece dos dois ficarem juntos? É como se o universo tivesse nascido de novo e você agora fosse personagem de casal de série adolescente. Tomar suco com a pessoa amada no intervalo passa a ter as mesmas proporções de um encontro com uma super celebridade, como o Dalai Lama ou o Gusttavo Lima, dependendo do apaixonado. E aí um dia os dois brigam, e você se desespera, acha que será trocado, que é o fim, que jamais será correspondido de novo...
Por isso, sempre comparo a vida de um apaixonado a uma montanha-russa sentimental! Ao menor sinal pode ir às alturas e logo em seguida, ao abismo e geralmente vai pro abismo muito mais rápido.
Mas aí você comete a burrada de entrar numa montanha-russa que parece ter sido projetada pelo Frank Gehry e depois de mais de 3 anos segurando o vômito, se vê obrigado a interromper o percurso. Desce mal sabendo andar direito, passa um tempo vomitando e jura de pé junto que JAMAIS entrará numa furada dessas novamente. Assim que recobra o fôlego e o estômago, passa a frequentar brinquedos mais tranquilos, como o Tiro ao Alvo e o Carrinho de Bate-Bate.
Primeiro tiro ao alvo e depois bate-bate.
Uma hora você cansa. Os prêmios do tiro ao alvo geralmente não valem o esforço e as fichas gastas com tiros desperdiçados e o bate-bate perde a graça depois da terceira batida. Onde está aquele ritmo, aquela cadência, aquela continuidade de outrora? Que saudades da montanha-russa...
... mas prometi que JAMAIS cairia nessa novamente. Quem sabe se ela não fosse tão rápida e as subidas e descidas não fossem tão grandes...
E é aí que você encontra o brinquedo perfeito: o carrossel!
Resumo da situação atual
Ele é infinitamente mais barato, a fila dá muito menos dor de cabeça, a cadência é muito mais lenta que a da montanha-russa, as subidas e descidas são programadas e tão suaves que você pode comer um algodão doce ou uma pipoca durante elas. Você pode fazer altas estripulias em cima dele, até subir com uma pessoa a mais no cavalo. Nossa, o carrossel é perfeito pra quem tá traumatizado com montanhas-russas!
Há um porém: quem passou tanto tempo em montanhas-russas jamais irá se acostumar com um carrossel. Não demora muito pra perceber que você está andando em círculos e que, mesmo andando bem mais devagar, nada te impede de cair subitamente do cavalo (não há cintos de segurança). E onde está aquela emoção, aquele momento de desespero onde você acha que vai morrer e em seguida tá tudo bem? A montanha-russa era radical mas sabia te prender firme! Não tinha essa de ter que ficar se segurando e poder se distrair com algodões doces, não senhor!
Eis o dilema: a montanha-russa pode te fazer um mal danado mas te faz se sentir vivo, e o carrossel te dá fôlego, tranquilidade e uma saudade enorme da emoção que a montanha-russa te dava.
E agora, qual dos dois?
Carrossel ou montanha-russa?
E se quiser montanha-russa, você teria estômago pra ela?
Hasta! o/





Realmente um bom texto e, de forma simbólica, tratou de uma das formas mais eficientes que já vi sobre como é estar apaixonada.
ResponderExcluirParabéns pela reflexão.
Rita.